sábado, 14 de dezembro de 2013

Daí você cresce

Sim, eu era apaixonada pelo Dagoberto. Tempos de orkut. Julguem como quiserem.
Eu não sei direito como esse texto começa, nem sei bem como ele termina. Tudo o que eu sei é que a vontade de escrever já está me corroendo. As lágrimas e as conversas já não suprem mais a minha vontade de desabafar. Como a Anne Frank já disse uma vez, é melhor falar com o papel mesmo.

Tanto tempo sem deixar meus dedos dançarem com as palavras me fez um pouco mal. Principalmente devido ao momento que estou vivendo.

Não, esse não é um texto de retrospectiva, ou algo parecido.

2013 foi um ano fora do comum. Aconteceu TANTA coisa, tantas mudanças, tantas perdas, tantas conquistas. Como eu disse na escola em uma das nossas orações depois do intervalo: surpreendente. Esse foi o meu 2013.

Enquanto eu escrevo isso aqui, sei que já devia estar dormindo há bastante tempo. Ao mesmo tempo, um trilhão de músicas que me acompanharam desde janeiro começam a invadir a minha mente e me fazem querer chorar e correr pra cama da minha mãe. Mas eu sei que ela não vai entender. "Que besteira Maria Tereza, para de ser boba menina, chorando por nada."

Minha avó morreu. Chorão morreu. Consegui um emprego. Cory morreu. Champignon morreu. Meus líderes vão se casar depois de amanhã. Fiz ENEM. Fiz Fuvest. Vou fazer o vestibular da Cásper no domingo. Assisti filmes incríveis. Passei horas na biblioteca e na Livraria Cultura. Comprei um vestido de bolinhas. Ri desesperadamente muitas vezes. Chorei desesperadamente muitas vezes. Não ganhei Paulista, Libertadores, Brasileiro, Recopa, nem Sul-americana. Cortei o cabelo. Fiz amizades. Renovei amizades. Parei de falar com muita gente. Dormi nas aulas de Física e cheguei atrasada nas de História. A escola acabou.

Faço 18 anos daqui a alguns dias. Não sei se algo vai mudar. Sei que algo já mudou: aqui dentro.

Ninguém nunca me falou que virar adulta doía tanto. Ninguém me disse que você ganhava responsabilidades de gente grande antes mesmo de se sentir gente grande. Ninguém me disse que eu ia fazer 18 anos e ainda sentir nojo de ir pro bar ver meus amigos beberem, ainda que seja socialmente. Ninguém me disse que a professora de Matemática que você tanto odiava não ia ser aquela que mais te faria sentir raiva, e sim os seus chefes no trabalho.

Ninguém me preparou pra isso. Eu escolhi a estrada, mas não tinha nenhuma placa avisando "DANGER! FASE ADULTA CHEGANDO!". Se despede do seu all-star menina, logo mais você vai ter que comprar um salto. Se despede da sua risada menina, logo mais ela vai ter que virar uma cara séria. Se despede do seu brinco de pena menina, logo mais ele vai ter que virar uma pérola. Se despede dos seus livros de capa rosa menina, logo mais eles vão se tornar 50 tons de cinza. Se despede das suas gírias menina, logo mais você vai ter que falar só sobre roupas e maquiagem. Se despede das suas besteiras meninas, logo mais elas se tornarão conversa de adulto.

Se despede da sua infância menina, das suas lágrimas porque a escola acabou, das suas músicas prediletas do Charlie Brown, dos seus cartazes de protestos, de todas as tatuagens que você queria fazer fazer, do seu sonho de levar todos os moradores de rua pra sua casa. Se despede logo, porque essas coisas não cabem na bolsa do mundo adulto.

Dá tchau pra suas amizades de verdade, porque agora vem as mulheres que só querem te levar pras festas pra encher a cara. Dá tchau pros meninos legais que já te fizeram suspirar, porque agora só vem aqueles caras que querem apenas te levar pra cama e te pôr na lista deles. Dá tchau pra sua série preferida, porque se descobrirem no cursinho, vão te chamar de criança.

Mas quando eu disse que eu não queria ser mais criança mesmo?

Ah é, eu não disse.

"Um dia me disseram que as nuvens não eram de algodão,
Um dia me disseram que os ventos às vezes erram a direção."

Só esqueceram de me avisar que o nó na garganta não ia se desmanchar tão cedo. Que de noite teus pais não iam mais estar lá pra dizer que ia ficar tudo bem, que o Sol ia nascer do mesmo jeito que ele sempre nasceu. Que pra ter primavera, precisa ter inverno.

Ninguém te disse. Você é quem descobre. Ninguém disse que ia doer tanto.

Mas não disseram que não ia doer.