sexta-feira, 20 de fevereiro de 2015

Corações: voltem a bater!


Eu me converti bem novinha: 11 anos de idade. Por causa disso, não cheguei a viver no mundão como muitos dos meus amigos vivem. Não frequentei muitas festas, nunca enchi a cara e nem passei o carnaval em blocos de rua, sambódromo nem nada parecido. Mas nas vezes que eu acabei indo em lugares assim, por causa de aniversários por exemplo, não houve uma vez em que eu saí de lá me sentindo vazia e triste. Mesmo que tenha visto pessoas especiais, nunca saí de uma festa feliz de verdade, com vontade de fazer isso mais vezes. Bem, com a conferência de carnaval foi exatamente o oposto.

Faz uns 4 ou 5 anos que eu não sei o que é ficar em casa num carnaval, eu decidi não dar a chance a mim mesma de cair em tentação ou de ficar triste. Desde então, passo os dois dias em que o mundo celebra a carne na presença de Deus. E essa é uma das melhores escolhas que eu faço todo ano.

Esse ano, o tema da Conferência Arena Jovem era Corações: voltem a bater. É uma coisa realmente impactante e desde janeiro eu estava na expectativa pra o que Deus faria naquele lugar. E pra minha surpresa (claro!), foi algo totalmente diferente de todos os outros anos. O Papai falou comigo de maneiras totalmente diferentes e sobre coisas que eu nem pensava que Ele falaria comigo.

Algo que vinha me incomodando muito de uns tempos pra cá é quantidade de amigos meus e até de familiares que se desviaram da igreja e dos caminhos do Senhor. Simplesmente não conseguia entrar na minha cabeça o que levava alguém a loucura de abandonar a Deus. Pra mim, não há nada no mundo que me convença a abandoná-lo. E mesmo não tendo perguntado isso pra Deus, Ele me respondeu através das palavras.

Outra coisa que também estava me perturbando demais é o tal do pós-modernismo. Você que tá lendo aí, pode me chamar de antiquada, de careta, do que você quiser caro colega, mas nada nesse mundo vai me convencer de que tudo é normal, de que você pode fazer o que bem entender e tá tudo certo. Eu te garanto, leitor querido, que as escolhas que o mundo tem feito hoje não levarão ninguém a bons frutos. Nós precisamos entender que sair fazendo o que der na telha, beijando quem a gente quiser, gritando com quem a gente bem entender, sem nenhum limite, não é liberdade. Muito pelo contrário, isso é ser escravo dos seus próprios desejos, sem controle algum.

Cara, como Deus é bom. Eu só posso dizer que sou grata por absolutamente tudo que Ele é e tudo que fez na minha sempre. Eu não sei o seria da minha vida e não faço ideia de onde eu estaria se não fosse por Ele. Ele é o meu tudo, o meu ar, o meu chão, a minha força, a minha alegria, o meu motivo de levantar todos os dias da cama.

Se você se afastou de Deus, por favor, escuta o que eu tenho a dizer. Jesus se magoou antes de ir pra cruz. Ele foi humilhado pelo povo que deveria esperar pela vinda dEle, foi abandonado pelos discípulos que diziam ir até os confins da Terra por Ele se fosse necessário, Ele sentiu a dor dos pregos e dos espinhos, Ele sentiu a dor de morrer como um criminoso. Mas pior que tudo isso, Ele sentiu a dor de ser abandonado pelo Pai, que o criou com todo o amor do mundo. Mas ainda sim, ELE FOI PRA CRUZ! Porque Ele sabia que o propósito daquilo tudo era maior que a dor, que as mágoas e a injustiça. A salvação da humanidade, o amor dEle por nós era infinitamente maior. Será que nós temos o direito de nos afastar da casa dEle? Será que a nossas mágoas, dores e injustiças são tão maiores que as de Jesus a ponto de nós desistirmos do nosso propósito e, pior ainda, de Deus? Será que vale a pena nos vendermos por um prato de lentilha?

E se você nunca sentiu esse amor, essa alegria que eu tô sentindo por causa dEle, ainda há tempo! Jesus te ama muito! E a coisa que Ele mais tem dito pra mim nos últimos tempos é: "Eu sou a Esperança!". Ele é aquilo que você busca quando vai numa festa, quando bebe, quando fuma, quando fica com alguém. A grande diferença é que Ele funciona! Existe esperança pra você sim!

Eu parei pra pensar no que faz o meu coração bater. Deus me mostrou que a esperança faz o meu coração bater. A esperança de que um dia o sofrimento vai acabar. A esperança de saber que todas as minhas lutas não são em vão. A esperança de que Ele escuta cada uma das minhas orações. A esperança que existe pro mundo. A esperança de que existe um novo amanhã preparado pra todos nós.

E pra você que foi na Conferência, o meu recado é Corações: não parem de bater!

quinta-feira, 12 de fevereiro de 2015

Sobre dizer adeus


Ainda é muito difícil falar sobre isso. Nunca vai ser fácil falar sobre morte.

Eu nem sei se um dia vou me recuperar de verdade. Mas vamos lá.

Quando eu era criança, tive alguns animais de estimação. Gatos e cachorros. Mas todos duraram muito pouco, eu morava numa casa beeeem pequena, nem tinha como ter um bichinho. Porém, quando mudei pra casa que moro hoje, as coisas mudaram. Por aqui já passaram cachorros, gatos e até galinhas. Mas nenhum deles teve a significância que a Latifa teve.

Um dia, quando eu tinha uns 4 ou 5 anos, estava voltando do clube com minha família sim nós íamos num clube porque já fomos endinheirados só que não e um moço apareceu com vários filhotinhos numa caixa. Ele perguntou se nós queríamos um e explicou que a patroa dele pediu pra se livrar dos cachorrinhos, porque a cadela de raça dela tinha cruzado com um vira-lata (sim, existem pessoas que pensam esse tipo de coisa). Ele ficou com pena e decidiu dar os bichinhos pra quem passasse na rua. Meu pai logo escolheu e deu o nome: Latifa.

Latifa era o nome da personagem da atriz Letícia Sabatella na novela "O Clone" (pai noveleiro, desculpa mundo). Eu nem sabia pronunciar direito o nome dela na época. Anos mais tarde, assistindo ao PCA descobri que Latifah significa "gentil, amável" em árabe. Definitivamente, escolhemos o nome certo.

Na segunda-feira (09/02/2015), a cachorra mais gentil e amável partiu dessa pra melhor. Ela estava bem doente e ela foi levada para ser sacrificada, era a melhor e mais sensata escolha a se fazer. E como o meu único modo de aliviar a dor e homenagear esse ser maravilhoso é escrevendo, cá estou eu.

Latifa foi uma cachorra única. Nunca precisamos treiná-la nem nada, ela sempre foi muita educada, muito mansa, muito alegre. Adorava visitas, principalmente crianças. Lembro que meu maior sonho era ter um cachorro que fosse pegar a bolinha e me trouxesse de volta. Bem, a Latifa pegava a bola, levava pra dentro da casinha e nunca mais saía de lá. Latifa também adorava sorvete. Só latia e uivava quando o moço do sorvete passava buzinando na rua de casa.

Minha princesa Titi, me perdoa por ter deixado as coisas chegarem onde chegaram e por não ter feito mais. Queria poder te dar uma morte mais digna e com menos sofrimento. Você merecia um enterro com mais homenagens que o papa. Obrigada por ter sido a melhor amiga, irmã, mãe e filha do universo. Obrigada porque quando eu era criança e meus pais começavam a brigar, você me ouvia desabafar e enxugava minhas lágrimas. Obrigada por todos os momentos de alegria que você me proporcionou e por ter se alegrado todas às vezes que eu chegava em casa.

O cachorro é o melhor amigo do homem sim e você cumpriu sua missão. Os fogos no réveillon nunca mais serão os mesmos sem você correndo pra dentro de casa assustada. Vou sentir saudades pra sempre. Apesar de ser um cachorro, você me deu aulas de humanidade que nenhuma pessoa no mundo conseguiria dar.

Eu não faço ideia de pra onde é que os cachorros vão quando eles morrem, mas espero que tenha muito sorvete e a ração de gato que você sempre roubava das gatinhas daqui. Eu te amo, princesa Latifa, e vou amar pra sempre.


"Para um cão, você não precisa de carrões, de grandes casas ou roupas de marca. Símbolos de status não significavam nada para ele. Um pedaço de madeira já está ótimo. Um cachorro não se importa se você é rico ou pobre, inteligente ou idiota, esperto ou burro. Um cão não julga os outros por sua cor, credo ou classe, mas por quem são por dentro. Dê seu coração a ele, e ele lhe dará o dele. É realmente muito simples, mas, mesmo assim, nós humanos, tão mais sábios e sofisticados, sempre tivemos problemas para descobrir o que realmente importa ou não. De quantas pessoas você pode falar isso? Quantas pessoas fazem você se sentir raro, puro e especial? Quantas pessoas fazem você se sentir extraordinário?"  
                                                  Marley&Eu - John Grogan 

R.I.P. Latifa - (2000-2015)