quarta-feira, 2 de setembro de 2015

"O problema não é crescer, é esquecer."


Não me lembro quantos anos eu tinha quando li O Pequeno Príncipe pela primeira vez, só sei que eu já não era mais uma criança. Esse livro me ensinou a parar de me desesperar procurando lógica em tudo, já que as coisas mais importantes da vida não têm lógica nenhuma. Posso dizer que o filme homônimo, dirigido por Mark Osborne (o mesmo de Kung Fu Panda, o que não fez muita diferença pra mim porque nunca assisti esse rs), me lembrou dessa lição num momento bem oportuno.

O filme conta a história de uma menina (ficamos sem saber o nome dela) que é criada pra ser uma adulta ~perfeita~. Pra ser aceita na melhor escola da região, sua mãe cria um cronograma todo esquematizado pra que a criança estude tudo que é necessário em suas férias de verão. Daria tudo certo se o seu novo vizinho não fosse um aviador maluco, mais precisamente o aviador que conhecemos da história do Pequeno Príncipe de Antoine de Saint-Exupéry.

O aviador começa a entregar pra menina desenhos com a história do Pequeno Príncipe. Ela resiste no início, mas acaba se rendendo aos encantos e a curiosidade de saber o que acontecia com o príncipe. Eles se tornam melhores amigos e passam o verão inteiro juntos. Ao mesmo tempo que vemos a história dela correndo em 3D, também temos intercalando a história do livro em stop-motion. Ao perceber que corre o risco de perder o novo amigo, a menininha vai atrás do Pequeno Príncipe e no fim das contas tem que lembrá-lo da lição que ele mesmo a ensinou.


Quando contei aos meus amigos que assisti esse filme, praticamente todos ficaram com aquele medinho de estragarem um grande clássico que fez parte da infância deles. E quando eu falo que o filme não conta a história do livro, eles se frustram. Então já peço pra você não desistir do longa.

O Pequeno Príncipe realmente não nos conta novamente a mesma história de Antoine de Saint-Exupéry, mas nos lembra da sua essência. Ao usar outra história, Mark Osborne nos mostra com uma animação muito bem feita e apegada a detalhes que o essencial é invisível aos olhos. A grande mensagem do filme é o que o aviador diz: O problema não é crescer. O problema é esquecer.

Estou passando por aquela fase de reta final antes das zilhares de provas do fim do ano. Mesmo estando bem mais confiante (e melhor emocionalmente) que no ano passado, ainda rola aquela tensão que só Jesus na causa de dar tudo errado de novo, além de eu estar bem cansada por causa do trabalho. Aí já viu, vem um monte de preocupações e pensamentos negativos pra soprar aquela vozinha desanimadora: não vai dar certo!

 

O Pequeno Príncipe me fez lembrar que não importa o quanto o mundo cobre de você, se você acredita que seu desenho é uma cobra que engoliu o elefante, então é isso e pronto. Se pra você existe uma rosa que é mais especial que as outras, ainda que sejam todas iguais, ela será especial porque é a sua rosa. E o que mais me prendeu: o homem pode comprar tudo o que quiser com seu maldito dinheiro (com o objetivo de sabe-se lá Deus o que), mas as estrelas... Estrelas não podem ser compradas. Você não pode tirar o brilho delas.

A gente corre o risco de chorar um pouco quando algo nos cativa, né Raposa? Bem, adivinha quem chorou horrores na sala de cinema?

Se liga no trailer (e na trilha sonora!):

 
"Tu não és ainda para mim senão um garoto inteiramente igual a cem mil outros garotos. E eu não tenho necessidade de ti. E tu não tens também necessidade de mim. Não passo a teus olhos de uma raposa igual a cem mil outras raposas. Mas, se tu me cativas, nós teremos necessidade um do outro. Serás pra mim único no mundo. E eu serei para ti única no mundo..."
O Pequeno Príncipe definitivamente me cativou. Obrigada por me lembrar que o essencial é invisível aos olhos