sábado, 31 de dezembro de 2016

Obrigada por ter me decepcionado, 2016


2015 foi um ano maravilhoso. Muita coisa incrível aconteceu no meio das tempestades. Quem me acompanhou por aqui viu o quanto foi bom pra mim, não simplesmente pelas coisas boas que aconteceram, mas pela maneira que eu lidei com tudo.

Eu me sentia preparada pros desafios de 2016. 

Quebrei a cara.

De novo.

Talvez pelo fato de tudo ter dado tão certo no fim do ano passado e começo desse ano, achei que ia sobreviver ao que viesse. O problema é que me senti autossuficiente. Sabe quando você simplesmente desiste de lutar e acha que é hora de descansar? Aprendi isso lendo o testemunho do Cicinho, um ex-jogador do São Paulo que eu amo demais desde que era criança. Ele fez história no meu time: foi um dos últimos laterais que passou pelo clube que realmente prestava. Ele estava na conquista do Mundial de 2005 e é lembrado por aquele gol lindo em cima do Palmeiras e pelo seu toque da caixa-postal ("Você ligou, você ligou para o Cicinho / Infelizmente eu não posso atender / Deixe seu recado que eu retorno pra você" AMO). 

Ele contou em uma entrevista que quando foi vendido para o Real Madrid, achou que tinha chegado ao topo da sua carreira, que era hora de relaxar. Nisso ele se tornou alcoólatra e perdeu muito do bom futebol dele. Disse que perdeu uma ótima oportunidade quando voltou pro São Paulo. A esposa dele o levou pra igreja, onde ele conheceu Jesus e foi liberto disso tudo. Hoje ele está bem e jogando na Turquia.

Contei isso tudo pra ficar mais fácil de entender. Achei que pelo fato de ter me tornado tão íntima de Jesus e ENFIM ter entrado na faculdade, nada ia me abalar. Doce ilusão.

Tive muitos problemas em casa, principalmente com meus pais. Me desgastei demais no trabalho, tanto com as pessoas como com o trabalho em si. Eu explodi muitas vezes. Perdi a paciência com vários professores. A faculdade me sugou completamente, tanto com os textos como com as pessoas. Tive que lidar com machismo e racismo de uma maneira muito mais próxima. Senti muita raiva por ver e ouvir tanta coisa elitista de uma vez só. Me frustrei com pessoas que achei que podia confiar.

Tenho problemas com ansiedade desde que era mais nova, mas era bem esporádico e nunca foi nada com que eu realmente tivesse que me preocupar. Esse ano ela veio com força total. Só no primeiro semestre eu desenvolvi gastrite por causa do estresse e da má alimentação. Tive uma pseudo-alergia por causa de estresse também. Tive crises por todos os motivos possíveis. Chorei no banheiro. Chorei no quarto. Chorei no ônibus. Chorei por dentro pra que ninguém me visse chorando.

Houveram dias em que eu não tinha força pra sair de casa de manhã. Ia pro trabalho só por ir, eu já nem sabia mais porque tinha que ir. Quando lembrava o porquê chorava mais. Desesperadamente.

Parei de falar com Deus. Parei de falar sobre Ele

Mas foram nesses dias nebulosos que a Clara aparecia pra me dizer o que eu precisava ouvir. Não tenho palavras pra agradecer tudo que ela fez por mim esse ano, por não ter me deixado desistir de tudo e de mim mesma. Eu tenho sorte de ter ela por perto.

Desde que as férias da faculdade começaram eu voltei a falar com Ele todos os dias, a ler o que Ele escreveu pra gente e tem sido incrível. Quando eu digo que nos braços Dele é o lugar mais seguro do mundo, não tô brincando. É real. Vou ser clichezona de novo: O Amor de Deus é um bagulho muito inexplicável. Eu não teria sobrevivido a esse ano se Ele não estivesse por perto e usado pessoas que nem da igreja são pra me ajudar.

Ele me fez enxergar que foi necessário passar por tanta coisa ruim. A gente só descobre se as raízes de uma árvore são fortes de verdade quando ela passa pelas piores tempestades e continua de pé. Esse ano tirei forças sabe-se lá Deus de onde. Mas tô aqui. Tô viva. Tô bem.

Ontem foi meu aniversário. Além das mensagens aleatórias de "parabéns deus te abençoe", a coisa que as pessoas que estiveram por perto esse ano mais disseram foi que admiravam a minha força. Isso me fez enxergar o quanto 2016 foi importante pra mim.

Uma amiga disse no seu texto de retrospectiva no Facebook que esse ano a tornou mulher. Desde que eu era mais nova ouvia nas músicas e filmes que a gente só se torna mulher quando transa pela primeira vez. Isso tá errado (e é machista). A gente se torna mulher quando luta, quando passa pelos vendavais e sobrevive.

Eu não sou mais a menina que veio do São Luis. Sou mulher.

Aprendi que a gente precisa enxergar o lado positivo sim. Querendo ou não, entrei na faculdade pra fazer o curso dos meus sonhos com bolsa integral e estou amando. Assisti seis filmes no cinema. Quatro eram de super-heróis e três foram na estreia. Aprendi a lutar pelo meu espaço onde eu estiver. Disse não pra muita coisa ruim que me ofereceram. Tive coragem. Fiz um curso de Jornalismo e Direitos Humanos. Publiquei meu texto pela primeira vez num portal de notícias. Conheci pessoas maravilhosas que me ajudaram muito e que se tornaram meus melhores amigos. Me aproximei de gente que sempre esteve por perto, mas que nunca dei o valor devido. Me afastei de pessoas que me faziam mal.

Tinha muitas expectativas pra esse ano. A única coisa que deu certo foi trocar de celular.

Mas decidi não reclamar disso e sim fazer algo a respeito.

2016 me amadureceu e me fez mais forte.

Foi doloroso passar pelo inverno, mas a primavera sempre vem.

Então meu brinde de fim de ano vai pro pior ano da minha vida. Obrigada por tudo, 2016!

sexta-feira, 1 de julho de 2016

O que eu aprendi no meu 1º semestre na PUC

Focas nas pessoas bonitas da foto
Olar migos! Não, eu não morri, só entrei na faculdade mesmo (BADUMTS~). Fiquei com uma preguiça extrema de ter que explicar isso pra vocês (mesmo porque as pessoas aparentemente não compreendem minha falta de tempo). Esses foram seis meses bem complicados, você do outro lado da tela vai entender melhor se continuar lendo o texto até o fim.

Enfim, peço desculpas pela minha ausência e dessa vez não vou prometer nada, já que minha vida tá uma montanha-russa louca movida a muita cafeína. Como eu disse no meu último post, finalmente, após anos de luta, consegui entrar na faculdade para cursar o que eu tenho sonhado desde os 15 anos: Jornalismo. E numa das melhores universidades de São Paulo com bolsa integral (se quiser conhecer a epopeia completa, clique aqui).

Como eu digo desde que criei essa birosca, escrever sempre me ajudou a ter mais lucidez sobre as coisas que eu passo. Me ajuda muito a entender mais sobre mim e sobre as coisas ao meu redor. Por isso, preciso fazer esse texto/lista com as coisas que aprendi nesse meu primeiro semestre como universitária e de quebra, te deixar atualizado sobre o que rolou na minha vida desde que eu me tornei oficialmente filha da PUC. Regina, LET'S GO! 

O MEDO DE DAR TUDO ERRADO

Sou aquela pessoa que sempre acha que alguma coisa vai dar ruim. Sempre que começo alguma coisa num lugar novo, eu sinto um medo terrível de absolutamente tudo. Era medo do meu nome não estar na chamada, medo de me perder, medo de entrar na sala errada, medo do papel higiênico ficar grudado no tênis. Eu senti muito isso no cursinho, mas acho que na faculdade foi pior. Agora eu tô mais tranquila em relação a algumas coisas, exceto pelo lance do papel higiênico. 

O CSL ME PERSEGUINDO NOVAMENTE

A galera do Facebook sabe que existe uma sina sobre a minha vida conhecida como SEMPRE VAI TER ALGUÉM DO SÃO LUÍS ONDE VOCÊ ESTIVER AMÉM. Foi assim no trabalho, no CIEE, em casa, no cursinho e agora na PUC. Mas olha, eu não reclamo não. Deixo aqui meu muito obrigada a todos os migos do CSL que me ajudaram a superar o medo do trote e a não me perder no campus, me explicaram como funciona exatamente a questão dos bolsistas e me contaram os babados da invasão da reitoria. Sem vocês eu teria travado no tópico anterior. Gratidão! sz 

ENCONTREI MEU LUGAR NO MUNDO 

Sempre bom lembrar né migos

Desde sempre eu tenho problemas em me encaixar nos ~círculos sociais~. O fato de ter sido uma criança/adolescente extremamente introvertida influenciou muito no tempo que eu demoro pra confiar nas pessoas e deixar que elas ultrapassem a linha imaginária do meu espaço. Aos 20 anos, a coisa não mudou muito. Eu não sei se eu sou chata ou diferentona demais, mas realmente leva um bom tempo pra eu achar a minha panelinha na vida. Assim como no Ensino Médio, eu falo com quase todos da sala, mas faltando uns 2 meses pras aulas acabarem, enfim me encontrei #flechamos. 

HUMANAS TEAM

Como na escola e no cursinho não tinha ninguém tão próximo que também quisesse fazer Jornalismo (graças a Deus, menos concorrente BRINCADEIRA), acabei criando um estereótipo na minha cabeça dos alunos desse curso: gente que gosta de Indie/MPB, ~discute Caetano~, tudo esquerdista, os caras têm barba, etc etc. Logo na primeira semana, tudo isso foi por água abaixo. Deve ter uns 4 caras de barba na sala, o povo gosta de todos os estilos musicais possíveis, tem gente de Direita, tem rico, pobre, classe média, tem até santista que não nasceu em Santos (pasmem!). No começo eu fiquei meio frustrada pelo lance da barba, mas depois eu fiquei bem feliz com toda essa diversidade. Ia ser muito chato uma sala com o estereótipo que eu criei e sejamos sinceros: ninguém ia aguentar. 

VÂMO PRO BAR?

#flechamos
Tem um histórico com álcool na minha vida/família que um dia (talvez) eu tenha coragem de abrir pro mundo. O fato é que: eu não bebo e rola uma aversão a álcool. No começo foi muito difícil entender essa tara das pessoas pelo bar e eu não ia de jeito nenhum. Mas conhecendo mais as pessoas e a rotina delas eu passei a entender isso melhor. Eu ainda não acho legal beber, não recomendo e não pretendo começar, mas parei de reprimir as pessoas na minha cabeça por causa disso. 

GANJA

A todos que fizeram comentários relacionados a maconha quando eu contava que tinha passado na PUC, só tenho uma coisa a dizer: vocês estavam certos. 

FORÇA, FOCO E CAFÉ

Pra encerrar a sessão das drogas, vamos falar dela: a cafeína. Eu sou viciada assumida desde sempre (obrigada, mãe) em café. Depois que comecei a trabalhar e fazer cursinho, a quantidade de café que eu tomo por dia aumentou em zilhões por cento. Na faculdade então... Tinha dias em que eu sabia que só estava de pé por causa do café. Não estou mais tomando porque eu gosto, o meu organismo tá pedindo se não ele dorme. Resultado: estou com gastrite \õ/ 

SDDS DORMIR SDDS

Essa foto me traz lembranças bem ruins
Posso dizer com propriedade que não sei mais o que significa domir. Vou tentar me lembrar da sensação nas férias, mas confesso que tô com medo de não conseguir acordar às 15h na segunda-feira que vem. Eu comecei a trabalhar quando ainda estava no Ensino Médio, então meio que já estava acostumada com a rotina. Mas a coisa é realmente punk na faculdade. Você tem 782682732846 de xerox e livros e vídeos e filmes e trabalhos e nada de disposição. Gostaria de deixar um salve a todos os colegas da sala que trabalham. Força amiguinhos, fé em Deus que a gente chega vivo na formatura. 

XEROX OU COXINHA?

Quando eu finalmente entendi na pele a piada da xerox ou coxinha, eu não sabia se ria ou chorava. POR QUE É TUDO TÃO CARO, MEU DEUS? Não há nada para dizer, apenas sentir. 

SE SENTINDO BURRA

Eu sempre me esforcei muito na escola porque eu sabia o quanto meus pais ralavam pra me dar uma boa educação. Essa foi, com certeza, a coisa mais importante que eles me ensinaram: "Podem tirar tudo de você: suas roupas, seu dinheiro, sua casa, seus amigos, sua família, mas não podem roubar o seu conhecimento". Por causa disso, era taxada como CDF e era a mim que os amigos recorriam na semana de provas. Pois bem. Daí você chega na faculdade, ouve as pessoas usarem palavras que você nunca ouviu e se posicionarem sobre assuntos polêmicos mamilos bem melhor que você. E a suas notas são bléh. Sim, descobri o que é me sentir burra, obrigada Universo. 

POR QUE EU QUERO FAZER JORNALISMO

Como eu disse lá em cima, não convivi com pessoas que também queriam fazer Jornalismo. Por causa disso, eu nunca ouvi motivos diferentes dos meus pra querer cursar o famigerado. Foi muito legal ouvir o que as outras pessoas queriam da vida e saber que não tô sozinha no mundo sz 

O 7X1 É TODO DIA

Foi importante passar por um monte de experiências traumatizantes esse semestre para aprender e lembrar de algumas coisas. Primeiro, pra agradecer ao meu Abba lindo por não ter me deixado estudar na Cásper nem na Unesp quando passei nessas faculdades nos anos anteriores. Eu não teria sobrevivido com a estrutura emocional e a cabeça que eu tinha quando saí do Ensino Médio e quanto terminei o 1º ano de cursinho. E em segundo, pra perceber mais uma vez o quanto eu dependo dEle pra não desistir de tudo. Não digo isso apenas pelas noites que eu deixei de dormir pra estudar, mas por todos os outros problemas e dilemas que tive que enfrentar nesses meses dentro e fora da faculdade. Obrigada por ter cuidado de mim, Abba sz 

O ESTRANHO É SER NORMAL

A foto que gerou discórdia
Sim, vou usar o nome do blog pro tópico mais importante. Sem dúvida, o que eu mais gostei da faculdade foi de conhecer pessoas tão diferentes de mim, unidas pelo Jornalismo. Isso me tem feito crescer muito e quebrar muitos preconceitos que eu carregava sem nem perceber. Por mais doloroso que seja ouvir uma opinião totalmente diferente da minha, tem sido ótimo ser confrontada. Como eu comentei na última aula, quebrar os nossos preconceitos e enxergar as pessoas como humanos que, independente de qualquer coisa, têm suas próprias dores, é o primeiro passo pra gerar alguma coisa boa.

Bem, esse foi um resumão do meu primeiro semestre. Eu realmente não sei quando vou ter comprometimento e  tempo o bastante pra levar o blog pra frente, mas de vez em quando ainda apareço por aqui, juro juradinho. O que eu posso dizer com certeza é que eu já amo a Pontifícia, amo meu curso e sei que fiz as escolhas certas no ano passado :D

Por hoje é só. Beijo ;*

PS.: Todas as fotos desse post foram retiradas do meu Instagram (@maryspider). Me segue ou seu time vai virar freguês da Chapecoense. Não digam que não avisei.

quinta-feira, 4 de fevereiro de 2016

Mãe, passei na PUC!

Adeus vestibulares, até nunca mais!
Esse não vai ser um texto sobre "A incrível história de superação da menina que entrou na faculdade", nem "A incrível história da menina que estudava 32 horas por dia e entrou na faculdade", muito menos "CHUPA MUNDO PASSEI!!11!". É uma história (muito maluca diga-se de passaji) sobre confiança. Espero do fundo da minha alma que ela possa fazer alguma diferença na vida de quem ler :)

Desde os 13 ou 14 anos eu sonho em fazer Jornalismo. Sim, eu sei que eu podia fazer engenharia e ser rica, eu sei que não vai dar dinheiro, eu sei que a vizinha ia ficar com mais inveja se fosse Direito ou Medicina. Mas é a única coisa em que eu sou realmente boa: contar histórias. Quem acompanha o blog viu minha saga em busca da tão sonhada vaguinha na faculdade desde o início.

Quando o ensino médio acabou, saíram os resultados das provas: passei na Cásper Líbero, uma das melhores faculdades de comunicação. Poreeeem, é tão cara quanto é boa. Chorei muito, contei toda minha história de vida pra conseguir uma bolsa de estudos lá e nem me deram atenção. Fuéim.

No começo de 2014, num evento da minha igreja que acontece todos os anos, fiz um voto com Deus pelos meus estudos. Dei uma oferta com o valor que Ele colocou no meu coração. Vai, agora fala que eu sou a trouxa que dá dinheiro pro pastor. Amigo, eu realmente não me importo com o que pensam sobre isso, eu tô falando de algo que EU vivo com o meu Pai. Isso é entre mim e Ele. Não ponha seus preconceitos na frente dos bois. Bem, Deus não funciona à base de troca de favores, logo eu teria que continuar me esforçando pra alcançar meu sonho.

2014 foi um ano muito difícil pra mim, como já disse várias vezes. Comecei a fazer cursinho, estava na expectativa de ser efetivada no meu emprego e tudo mais. No começo é tudo muito lindo e você está cheia de esperanças de que as coisas vão dar certo. O ano foi passando e eu vi que não era bem assim. Foi muito complicado organizar meu tempo e passei por várias tempestades emocionais por estar longe dos meus amigos de ensino médio. Estava com um buraco no coração e decidi tampá-lo com pessoas que eu mal conhecia e com meus pensamento negativos. Decidi levar o peso do mundo nas costas sozinha e deixar de lado quem nunca me deixou na mão. Me lasquei.

No fim das contas, nem tudo deu errado. No começo de 2015 saíram os resultados dos vestibulares: passei na UFJF e na Unesp. Tudo fora de São Paulo. Finalmente estava acontecendo. Eu estava mais feliz que qualquer outra pessoa no universo. Eu queria ir. Tinha maneira melhor de esquecer aquele ano horrível?

Já estava quase tudo certo pra eu ir pra Bauru me matricular na Unesp. Mas no domingo, antes da semana de confirmar interesse na vaga, minha ex-líder na igreja conversou comigo. Ela me perguntou se eu já tinha perguntado pra Deus se Ele queria que eu fosse. Eu, dentro da minha lógica humana, pensei "Eu orei, ofertei, estudei e passei. Acho que Ele quer que eu vá". "Mas você já perguntou isso pra ele?". Não, eu não tinha. "Então pergunta, porque não tô me sentindo bem com isso".

No dia seguinte, eu li pela milionésima vez na Bíblia a história de Ana. Ana é uma das mulheres que eu mais amo na Bíblia, é alguém que sempre admirei. Depois do que eu vivi ano passado, admiro ainda mais. Bem, Ana era uma mulher estéril. Naquela época, a honra de uma mulher era ter um filho. Era simplesmente a coisa mais importante pra elas. Ana sempre orava e dava ofertas por esse filho. Até que um dia, em meio a lágrimas desesperadas, Ana prometeu consagrar o seu primeiro filho a Deus se ele fizesse esse milagre. E Ele fez. Assim nasceu Samuel, um dos meus profetas favoritos e só o cara que ungiu o primeiro rei de Israel (Saul) e depois Davi, o melhor rei que Israel já teve. Depois disso, Ana ainda teve outros 5 filhos.

De noite, naquela segunda-feira, fui orar. E orei como não fazia há muito tempo. A presença de Deus foi muito intensa no meu quarto, vivi uma das experiências mais insanas com o Espírito Santo. Perguntei pra Ele se essa era a vontade dEle. E Ele me lembrou de Ana, de como ela queria um filho, de como ela era humilhada por todos por não ter um. Então Ele me disse "Maria, a coisa que Ana mais queria na vida dela era esse filho, mas ela decidiu entregá-lo pra mim. Maria, me entrega seu Samuel". Depois de contrariar muito a Deus, Ele me prometeu que me restituiria isso, que Ele precisava de mim em São Paulo pra pregar pra algumas pessoas específicas, que aqueles que forem humilhados serão exaltados. Assim como Ana, no meio das lágrimas de desespero, eu disse pra Ele: "Pai, no ano passado eu fiz tudo do meu jeito e deu tudo errado. Eu só me feri. Esse ano eu decido fazer a sua vontade. Eu te entrego meu Samuel".

Doeu. Doeu demais fazer isso. Eu fiquei praticamente o mês todo com meu coração partido. Mas eu sabia que de um jeito ou de outro, era a decisão certa.

Lá vai Maria Tereza voltar pro cursinho.

2015 foi um ano incrível. Claro, passei por momentos muito duros. A morte de uma amiga que nem eu e nem ninguém esperávamos, um monte de problemas em casa, mais amigos que se afastaram. Eu estava cansada. Agora era funcionária de verdade da empresa e não era brinquedo não rs. Mas mesmo assim, eu sabia que as coisas iam funcionar. Não do meu jeito claro, mas do jeito dEle.

Não ia ser boba mais uma vez. Me entreguei totalmente pra Ele, vivi experiências sobrenaturais com o Abba, conheci muito mais sobre Ele, entendi muitas coisas que não faziam sentido pra mim. Investi as forças que eu não tinha em pessoas que precisavam muito de Jesus. Tentei dar o meu melhor pra vidas que estavam perdidas por aí. Ele me mostrou tantas coisas sobre o meu chamado, sobre a minha futura profissão, sobre o que Ele faria dentro da faculdade. Muitas vezes eu me sentia sozinha e pensava que não ia dar certo, mas Ele segurava minha mão e dizia que não ia soltar. Foi muito incrível perceber como Ele cuida de tudo mesmo!

Enfim, chegou o fim do ano, fiz as provas e mais uma vez vieram os resultados: passei na PUC. Buuut, eu precisava de uma bolsa se quisesse estudar lá. Me inscrevi no processo seletivo, quase não consigo chegar na faculdade, passei por aquela tensão de ter algum documento faltando. Quando saiu a lista, precisei ver no celular, no computador e ligar na faculdade pra ter certeza de verdade. Era real. Consegui a vaga na faculdade que eu tanto queria, em São Paulo e onde estão muitos amigos meus. A ficha demorou pra cair.

Antes de concluir, quero deixar meus agradecimentos às pessoas que fizeram parte disso. Minha família por sempre ter acreditado em mim e na minha capacidade. Principalmente aos meus pais por sempre terem corrido atrás pra que eu e meu irmão tivéssemos as melhores oportunidades. Obrigada por terem me dado livros ao invés de Barbies. Obrigada por terem me encorajado a escrever. Obrigada por me ensinarem a ter opinião sobre as coisas. Obrigada por me ensinarem desde sempre que podem te tirar tudo, menos o conhecimento. Agradeço muito mesmo aos meus líderes dentro da igreja pela força, pelos conselhos e pelas orações. Eu não sei o que seria da Maria hoje sem vocês! O Arena e o One Pray foram importantes demaaaais nesse processo. Agradeço muito mesmo a cada um dos meus professores. Como eu sempre digo, vocês são seres iluminados. Obrigada por absolutamente tudo. Samarah, São Luís e Maximize, gratidão apenas! E finalmente, obrigada a cada amigo e amiga que esteve do meu lado nessa saga. Eu sou uma garota muito sortuda por ter tanta gente legal por perto. Nunca reclamar, só agradecer.

Bem, você pode ignorar todo o envolvimento de Deus nessa história. Pode acreditar que isso é mérito meu, do meu esforço, do meu estudo. Pode achar que eu fui boba de perder a chance de estudar numa universidade pública. Você pode achar o que quiser. O que eu sei é que provavelmente eu ia me perder na vida se fosse embora de São Paulo, longe da minha família, dos meus amigos e de Deus. Eu sei que fiz a escolha certa.

Eu não sei como essa história pode fazer alguma diferença na sua vida. Não sei se você está longe do Pai, se você não acredita que consegue alcançar algum sonho, se está cansado. Não deixe de acreditar jamais que Ele está do seu lado, porque Ele não arreda o pé mesmo!

Por hoje é só. Beijoo ;*

"Coração bobinho se achando sozinho
Leia nas estrelas o quanto Ele te ama
Coração bobinho se achando sozinho
Escute Deus dizendo filho estou pertinho
É só fechar os olhos respirar bem fundo
Coloca as vozes do medo no modo mudo

Lembra que foi Ele quem criou o mundo
Lembra que Ele tem o controle de tudo
Lembra que foi Ele que soprou este ar
Que passa aí dentro e te faz respirar
Entre milhões de orações, pode só te escutar
Enquanto você dorme, continua a trabalhar
Não é segundo suas expectativas
Deus fará além

Além, além, além do que você imagina

Muita calma nessa alma
Vai ficar tudo bem
Muita calma nessa alma
Lembre-se de quem você tem"
 Marcela Taís

domingo, 10 de janeiro de 2016

Ave, Ceni!


Eu sempre fico muito feliz quando me pedem pra contar como eu me tornei tão apaixonada pelo São Paulo. Eu amo contar essa história e vou continuar amando até o fim da minha vida. 

Meus pais se conheceram num jogo de meio de semana à noite no Estádio Cícero Pompeu de Toledo, também conhecido como a minha segunda casa: O Morumbi. Desde recém-nascida eu usava roupinhas do São Paulo e sempre gostei de futebol. Minha mãe me levava ao estádio comigo na barriga dela ainda. Mas foi lá pelos meus 9 anos, em 2005 que o interesse real pelo esporte começou. Eu me lembro de ficar ouvindo o rádio de manhã com a minha mãe antes de ir pra escola e perguntava tudo pra ela. "Ah, então no Brasileiro cada vitória são 3 pontos". "Mas na Libertadores quem perde sai". "E o Mundial, mãe?". Tenho um orgulho danado de saber que a minha principal influência e mentora nisso foi uma mulher: minha mãe. Mas o texto de hoje não é sobre ela. Posso dizer que a dona Ana me fez apaixonada pelo futebol, mas teve um cara que me ensinou a ser apaixonada pelo São Paulo Futebol Clube. Seu nome é Rogério Ceni. 

Desde pequena eu aprendi que "Todos têm goleiro, mas só nós temos Rogério". Por ser menina, tive pouco incentivo a aprender a jogar bola (até hoje eu sou um desastre), mas uma coisa eu sempre tive em mente: O goleiro é um cara especial, só ele pode pegar a bola com as mãos. E o meu goleiro tem nome: Rogério Ceni. 

Eu cresci com apenas um ídolo. Uns caras importantes passaram pelos outros clubes, mas nenhum ficou pra me fazer sentir inveja dos meus amigos. O que importa se seu time fez isso ou aquilo? Meu filho, eu tenho Rogério Ceni! 

Eu tenho momentos muito marcantes na memória relacionados ao meu clube. O Mundial com certeza é um deles. Eu me lembro de como vieram várias pessoas assistir o jogo aqui em casa, da minha mãe faltando no trabalho pra ver o jogo, do meu irmão e eu desenhando o escudo do São Paulo numa folha sulfite porque a gente não tinha bandeira. E que jogo! Quanta tensão, meu Deus do céu! Que defesa foi aquela, Rogério?! 

Eu não consigo numerar todas as defesas grandiosas que o Mito fez, afinal foram muitas. Todas importantes. Todas me fizeram prender o ar por alguns instantes e depois respirar aliviada por lembrar que o meu goleiro era Rogério Ceni. 

Só que ele era um jogador completo. Não bastava me deixar feliz com suas defesas, ainda tinha que ser goleiro-artilheiro. Tá aí uma coisa que nenhum outro torcedor vai poder se orgulhar de ter por um bom tempo. Uma das lembranças mais especiais que tenho foi do centésimo gol. 

Eu não tenho o relacionamento mais saudável do mundo com meu primo mais velho. Mas os jogos de futebol são os momentos em que a gente esquece das nossas desavenças. Aliás, isso rola com a família toda. Me lembro de estar em casa vendo aquele jogo do Campeonato Paulista com minha mãe e ele. Estava meio triste por não ter ido à Arena Barueri ver de perto, mas valeu a pena de qualquer jeito. Quando fizeram aquela falta perto da área, o Morélio olhou pra mim sorrindo e disse "É agora, é agora, é agora!". Rogério foi correndo em direção ao gol e se posicionou pra bater. Era contra o Corinthians, nosso maior rival. Pra ser mais perfeito, só se fosse no Morumbi. Ele chutou e meu coração só voltou a bater quando eu vi o sorriso no seu rosto e todos correndo pra abraçá-lo. Mas tinha um porém: O filho do meu primo, naquela época um bebezinho, estava dormindo no sofá e a Natália, esposa dele, pediu pra não gritarmos na hora do jogo. Bem, não gritamos. E foi o grito abafado mais feliz da minha vida. Centésimo gol contra o time de Itaquera. "Foi de falta, como eu queria." 

E como se não bastasse, o M1TO ainda era uma cara ético dentro do futebol. Bateu de frente com a diretoria diversas vezes e com técnicos inclusive. E jamais cedeu às pilantragens da CBF. Isso é algo que me deixa orgulhosa demais não apenas por ele, mas pelo meu time. 

Quando me perguntam qual a minha última lembrança do Ceni com certeza me vem a imagem dele passando a braçadeira de capitão pro Lucas quando ganhamos a Sul-Americana. E quando me perguntarem das lembranças mais doloridas, com certeza vão ser as vezes em que ele chorou quando perdemos as Libertadores. 

Rogério, é muito difícil dar adeus pra um cara que não foi apenas um jogador, mas foi o São Paulo Futebol Clube em si. Vai ser estranho ir ao estádio e não te ver lá debaixo das redes. Eu só quero te agradecer por me ensinar o que é ser São Paulina. Obrigada por ensinar cada torcedor tricolor a ter um coração como o seu: Com cinco pontas, preto, branco e vermelho. 

Peço licença aos amigos palmeirenses que deram ao seu goleiro o título de São Marcos. Você foi além, não merece ser chamado de Santo. Você se tornou um deus, o nosso deus. Vida longa ao Cezar! Ave, Ceni!

sexta-feira, 1 de janeiro de 2016

"Faço dos meus destroços poesia"


Eu vou fazer um texto de retrospectiva de 2015. Vou postar o texto que eu fiz há algumas semanas sobre o Rogério Ceni e que me fez chorar. Vou colocar a minha playlist dos 20 anos. Mas meu primeiro texto de 2016 vai ser sobre nada.

Eu acho muito louco como realmente consigo me entender quando escrevo. E eu penso que é a mesma coisa com todo mundo que é artista. Deve ser assim quando um cineasta coloca os olhos na câmera. Quando um músico põe as mãos ou a boca no seu instrumento musical. Quando Van Gogh colocava as mãos no pincel. Talvez Deus tenha se sentido assim quando fez o Universo. Sei lá.

Em 2015 eu precisei ficar sozinha, precisei me fechar um pouco. Eu estava vulnerável demais. Como a Flora Matos falou no Facebook dela, eu acho, que ela estava passando por um momento em que era como uma lagarta dentro do casulo, algo assim. Eu estava assim. E quer saber? Eu me entendi. E sou uma pessoa bem complicada. E acho que não vai aparecer ninguém de carne e osso que me entenda de verdade. Isso ficou entre mim e Deus.

Eu realmente odeio ter que escolher roupa de manhã. As pessoas acham muito engraçado o meu sonho de um dia poder ir trabalhar de moletom. Mas isso é muito sério. Por que a gente se incomoda tanto com isso? Que chato. Eu vou encontrar um emprego um dia e eu vou ir de calça de moletom e all-star.

Queria entender porque casamentos acabam. Qual é a dificuldade de conversar? Por que as pessoas simplesmente não falam "estou com ciúmes", "queria que você passasse mais tempo com as crianças". Ou melhor, por que elas não falam sobre essas coisas ANTES de casarem? Não seria tão mais fácil perguntar quando ainda se namora se você quer casar ou comprar um bicicleta?

Queria que as pessoas parassem de achar que sou estranha por achar que sexo não é uma coisa banal. Que beijo na boca não é pra ser só uma experiência. Queria que não dessem risada e dissessem "ai Maria, como você é inocente!". Gata, eu tenho 20 anos, você ficaria assustada se soubesse o quão inocente eu não sou. Não é só corpo, não é só físico. Tem dois seres vivos com sentimentos ali. Duas histórias. Duas vidas. Pessoas com feridas e dores. Não é qualquer coisa.

Queria que parassem de me olhar torto quando eu digo que odeio álcool. Que odeio com todas minhas forças. Porque sei o que ele pode fazer com uma pessoa, com a família e os amigos dela. Queria que os adultos parassem de se preocupar tanto com maconha, enquanto seguram um copo de cerveja. Queria que os pais parassem de brigar com os filhos por eles serem irresponsáveis enquanto estão com um cigarro nos dedos. Aliás, podiam parar de dizer que um número de boletim é mais importante que o seu caderno de desenhos.

Meu pai fala que eu sou uma pessoa triste. Errado. Eu sou uma pessoa que pensa. Dentro da minha mente existe um mundo onde as coisas tem lógica e fazem sentido.

Ah, e no trabalho as pessoas podiam parar de me julgar por eu ser esquerdista. Podiam entender que dinheiro não é tudo. Podiam entender que eu não sou "só uma jovem revoltada passando por uma fase". Qual é problema de acreditar em alguma coisa?

Queria que entendessem o amor que sinto por Jesus. O quanto é bom estar com Ele, ser abraçada por Ele, dar risada com Ele, sentir Ele passando a mão no meu cabelo e dizendo que sempre vai estar lá comigo. Queria que respeitassem a minha fé. Se engana muito você que acha que os islâmicos e os umbandistas são os únicos que não têm sua crença compreendida. É difícil ser cristã de verdade.

Queria que parassem de reclamar quando eu assisto Across The Universe e canto junto com os personagens. Gente, é um musical! Eu gosto de cantar as músicas dos Beatles. Eu me sinto compreendida. Aliás, quando eu leio Drummond também me sinto compreendida e fico triste quando as pessoas me acham estranha porque choro quando leio os poemas dele.

Também queria que entendessem porque amo tanto o Machado de Assis desde os 11 anos. Eu acho que sou parecida com a Capitu. Talvez eu não seja tão bonita, ardilosa e misteriosa como ela, mas algo é certo: ninguém sabe o que se passa na cabeça dela. Nem mesmo o Machado de Assis. Eu queria conversar com a Capitu. Queria que ela me contasse como se sentia quando estava com o Bentinho, se realmente era apaixonada por ele, se sentia medo, se tinha alguma ferida. Queria mesmo era que algum escritor tivesse coragem de escrever a versão dela da história.

No fim das contas, acho que as pessoas é que são complicadas demais. A vida podia ser algo prático, mas as pessoas gostam de um clímax pra ficar mais emocionante. Grande perda de tempo.

Acho que esse texto ficou bem ruim.

Mas enfim.

Vou almoçar.

Tchau.