domingo, 10 de janeiro de 2016

Ave, Ceni!


Eu sempre fico muito feliz quando me pedem pra contar como eu me tornei tão apaixonada pelo São Paulo. Eu amo contar essa história e vou continuar amando até o fim da minha vida. 

Meus pais se conheceram num jogo de meio de semana à noite no Estádio Cícero Pompeu de Toledo, também conhecido como a minha segunda casa: O Morumbi. Desde recém-nascida eu usava roupinhas do São Paulo e sempre gostei de futebol. Minha mãe me levava ao estádio comigo na barriga dela ainda. Mas foi lá pelos meus 9 anos, em 2005 que o interesse real pelo esporte começou. Eu me lembro de ficar ouvindo o rádio de manhã com a minha mãe antes de ir pra escola e perguntava tudo pra ela. "Ah, então no Brasileiro cada vitória são 3 pontos". "Mas na Libertadores quem perde sai". "E o Mundial, mãe?". Tenho um orgulho danado de saber que a minha principal influência e mentora nisso foi uma mulher: minha mãe. Mas o texto de hoje não é sobre ela. Posso dizer que a dona Ana me fez apaixonada pelo futebol, mas teve um cara que me ensinou a ser apaixonada pelo São Paulo Futebol Clube. Seu nome é Rogério Ceni. 

Desde pequena eu aprendi que "Todos têm goleiro, mas só nós temos Rogério". Por ser menina, tive pouco incentivo a aprender a jogar bola (até hoje eu sou um desastre), mas uma coisa eu sempre tive em mente: O goleiro é um cara especial, só ele pode pegar a bola com as mãos. E o meu goleiro tem nome: Rogério Ceni. 

Eu cresci com apenas um ídolo. Uns caras importantes passaram pelos outros clubes, mas nenhum ficou pra me fazer sentir inveja dos meus amigos. O que importa se seu time fez isso ou aquilo? Meu filho, eu tenho Rogério Ceni! 

Eu tenho momentos muito marcantes na memória relacionados ao meu clube. O Mundial com certeza é um deles. Eu me lembro de como vieram várias pessoas assistir o jogo aqui em casa, da minha mãe faltando no trabalho pra ver o jogo, do meu irmão e eu desenhando o escudo do São Paulo numa folha sulfite porque a gente não tinha bandeira. E que jogo! Quanta tensão, meu Deus do céu! Que defesa foi aquela, Rogério?! 

Eu não consigo numerar todas as defesas grandiosas que o Mito fez, afinal foram muitas. Todas importantes. Todas me fizeram prender o ar por alguns instantes e depois respirar aliviada por lembrar que o meu goleiro era Rogério Ceni. 

Só que ele era um jogador completo. Não bastava me deixar feliz com suas defesas, ainda tinha que ser goleiro-artilheiro. Tá aí uma coisa que nenhum outro torcedor vai poder se orgulhar de ter por um bom tempo. Uma das lembranças mais especiais que tenho foi do centésimo gol. 

Eu não tenho o relacionamento mais saudável do mundo com meu primo mais velho. Mas os jogos de futebol são os momentos em que a gente esquece das nossas desavenças. Aliás, isso rola com a família toda. Me lembro de estar em casa vendo aquele jogo do Campeonato Paulista com minha mãe e ele. Estava meio triste por não ter ido à Arena Barueri ver de perto, mas valeu a pena de qualquer jeito. Quando fizeram aquela falta perto da área, o Morélio olhou pra mim sorrindo e disse "É agora, é agora, é agora!". Rogério foi correndo em direção ao gol e se posicionou pra bater. Era contra o Corinthians, nosso maior rival. Pra ser mais perfeito, só se fosse no Morumbi. Ele chutou e meu coração só voltou a bater quando eu vi o sorriso no seu rosto e todos correndo pra abraçá-lo. Mas tinha um porém: O filho do meu primo, naquela época um bebezinho, estava dormindo no sofá e a Natália, esposa dele, pediu pra não gritarmos na hora do jogo. Bem, não gritamos. E foi o grito abafado mais feliz da minha vida. Centésimo gol contra o time de Itaquera. "Foi de falta, como eu queria." 

E como se não bastasse, o M1TO ainda era uma cara ético dentro do futebol. Bateu de frente com a diretoria diversas vezes e com técnicos inclusive. E jamais cedeu às pilantragens da CBF. Isso é algo que me deixa orgulhosa demais não apenas por ele, mas pelo meu time. 

Quando me perguntam qual a minha última lembrança do Ceni com certeza me vem a imagem dele passando a braçadeira de capitão pro Lucas quando ganhamos a Sul-Americana. E quando me perguntarem das lembranças mais doloridas, com certeza vão ser as vezes em que ele chorou quando perdemos as Libertadores. 

Rogério, é muito difícil dar adeus pra um cara que não foi apenas um jogador, mas foi o São Paulo Futebol Clube em si. Vai ser estranho ir ao estádio e não te ver lá debaixo das redes. Eu só quero te agradecer por me ensinar o que é ser São Paulina. Obrigada por ensinar cada torcedor tricolor a ter um coração como o seu: Com cinco pontas, preto, branco e vermelho. 

Peço licença aos amigos palmeirenses que deram ao seu goleiro o título de São Marcos. Você foi além, não merece ser chamado de Santo. Você se tornou um deus, o nosso deus. Vida longa ao Cezar! Ave, Ceni!

sexta-feira, 1 de janeiro de 2016

"Faço dos meus destroços poesia"


Eu vou fazer um texto de retrospectiva de 2015. Vou postar o texto que eu fiz há algumas semanas sobre o Rogério Ceni e que me fez chorar. Vou colocar a minha playlist dos 20 anos. Mas meu primeiro texto de 2016 vai ser sobre nada.

Eu acho muito louco como realmente consigo me entender quando escrevo. E eu penso que é a mesma coisa com todo mundo que é artista. Deve ser assim quando um cineasta coloca os olhos na câmera. Quando um músico põe as mãos ou a boca no seu instrumento musical. Quando Van Gogh colocava as mãos no pincel. Talvez Deus tenha se sentido assim quando fez o Universo. Sei lá.

Em 2015 eu precisei ficar sozinha, precisei me fechar um pouco. Eu estava vulnerável demais. Como a Flora Matos falou no Facebook dela, eu acho, que ela estava passando por um momento em que era como uma lagarta dentro do casulo, algo assim. Eu estava assim. E quer saber? Eu me entendi. E sou uma pessoa bem complicada. E acho que não vai aparecer ninguém de carne e osso que me entenda de verdade. Isso ficou entre mim e Deus.

Eu realmente odeio ter que escolher roupa de manhã. As pessoas acham muito engraçado o meu sonho de um dia poder ir trabalhar de moletom. Mas isso é muito sério. Por que a gente se incomoda tanto com isso? Que chato. Eu vou encontrar um emprego um dia e eu vou ir de calça de moletom e all-star.

Queria entender porque casamentos acabam. Qual é a dificuldade de conversar? Por que as pessoas simplesmente não falam "estou com ciúmes", "queria que você passasse mais tempo com as crianças". Ou melhor, por que elas não falam sobre essas coisas ANTES de casarem? Não seria tão mais fácil perguntar quando ainda se namora se você quer casar ou comprar um bicicleta?

Queria que as pessoas parassem de achar que sou estranha por achar que sexo não é uma coisa banal. Que beijo na boca não é pra ser só uma experiência. Queria que não dessem risada e dissessem "ai Maria, como você é inocente!". Gata, eu tenho 20 anos, você ficaria assustada se soubesse o quão inocente eu não sou. Não é só corpo, não é só físico. Tem dois seres vivos com sentimentos ali. Duas histórias. Duas vidas. Pessoas com feridas e dores. Não é qualquer coisa.

Queria que parassem de me olhar torto quando eu digo que odeio álcool. Que odeio com todas minhas forças. Porque sei o que ele pode fazer com uma pessoa, com a família e os amigos dela. Queria que os adultos parassem de se preocupar tanto com maconha, enquanto seguram um copo de cerveja. Queria que os pais parassem de brigar com os filhos por eles serem irresponsáveis enquanto estão com um cigarro nos dedos. Aliás, podiam parar de dizer que um número de boletim é mais importante que o seu caderno de desenhos.

Meu pai fala que eu sou uma pessoa triste. Errado. Eu sou uma pessoa que pensa. Dentro da minha mente existe um mundo onde as coisas tem lógica e fazem sentido.

Ah, e no trabalho as pessoas podiam parar de me julgar por eu ser esquerdista. Podiam entender que dinheiro não é tudo. Podiam entender que eu não sou "só uma jovem revoltada passando por uma fase". Qual é problema de acreditar em alguma coisa?

Queria que entendessem o amor que sinto por Jesus. O quanto é bom estar com Ele, ser abraçada por Ele, dar risada com Ele, sentir Ele passando a mão no meu cabelo e dizendo que sempre vai estar lá comigo. Queria que respeitassem a minha fé. Se engana muito você que acha que os islâmicos e os umbandistas são os únicos que não têm sua crença compreendida. É difícil ser cristã de verdade.

Queria que parassem de reclamar quando eu assisto Across The Universe e canto junto com os personagens. Gente, é um musical! Eu gosto de cantar as músicas dos Beatles. Eu me sinto compreendida. Aliás, quando eu leio Drummond também me sinto compreendida e fico triste quando as pessoas me acham estranha porque choro quando leio os poemas dele.

Também queria que entendessem porque amo tanto o Machado de Assis desde os 11 anos. Eu acho que sou parecida com a Capitu. Talvez eu não seja tão bonita, ardilosa e misteriosa como ela, mas algo é certo: ninguém sabe o que se passa na cabeça dela. Nem mesmo o Machado de Assis. Eu queria conversar com a Capitu. Queria que ela me contasse como se sentia quando estava com o Bentinho, se realmente era apaixonada por ele, se sentia medo, se tinha alguma ferida. Queria mesmo era que algum escritor tivesse coragem de escrever a versão dela da história.

No fim das contas, acho que as pessoas é que são complicadas demais. A vida podia ser algo prático, mas as pessoas gostam de um clímax pra ficar mais emocionante. Grande perda de tempo.

Acho que esse texto ficou bem ruim.

Mas enfim.

Vou almoçar.

Tchau.