sábado, 31 de dezembro de 2016

Obrigada por ter me decepcionado, 2016


2015 foi um ano maravilhoso. Muita coisa incrível aconteceu no meio das tempestades. Quem me acompanhou por aqui viu o quanto foi bom pra mim, não simplesmente pelas coisas boas que aconteceram, mas pela maneira que eu lidei com tudo.

Eu me sentia preparada pros desafios de 2016. 

Quebrei a cara.

De novo.

Talvez pelo fato de tudo ter dado tão certo no fim do ano passado e começo desse ano, achei que ia sobreviver ao que viesse. O problema é que me senti autossuficiente. Sabe quando você simplesmente desiste de lutar e acha que é hora de descansar? Aprendi isso lendo o testemunho do Cicinho, um ex-jogador do São Paulo que eu amo demais desde que era criança. Ele fez história no meu time: foi um dos últimos laterais que passou pelo clube que realmente prestava. Ele estava na conquista do Mundial de 2005 e é lembrado por aquele gol lindo em cima do Palmeiras e pelo seu toque da caixa-postal ("Você ligou, você ligou para o Cicinho / Infelizmente eu não posso atender / Deixe seu recado que eu retorno pra você" AMO). 

Ele contou em uma entrevista que quando foi vendido para o Real Madrid, achou que tinha chegado ao topo da sua carreira, que era hora de relaxar. Nisso ele se tornou alcoólatra e perdeu muito do bom futebol dele. Disse que perdeu uma ótima oportunidade quando voltou pro São Paulo. A esposa dele o levou pra igreja, onde ele conheceu Jesus e foi liberto disso tudo. Hoje ele está bem e jogando na Turquia.

Contei isso tudo pra ficar mais fácil de entender. Achei que pelo fato de ter me tornado tão íntima de Jesus e ENFIM ter entrado na faculdade, nada ia me abalar. Doce ilusão.

Tive muitos problemas em casa, principalmente com meus pais. Me desgastei demais no trabalho, tanto com as pessoas como com o trabalho em si. Eu explodi muitas vezes. Perdi a paciência com vários professores. A faculdade me sugou completamente, tanto com os textos como com as pessoas. Tive que lidar com machismo e racismo de uma maneira muito mais próxima. Senti muita raiva por ver e ouvir tanta coisa elitista de uma vez só. Me frustrei com pessoas que achei que podia confiar.

Tenho problemas com ansiedade desde que era mais nova, mas era bem esporádico e nunca foi nada com que eu realmente tivesse que me preocupar. Esse ano ela veio com força total. Só no primeiro semestre eu desenvolvi gastrite por causa do estresse e da má alimentação. Tive uma pseudo-alergia por causa de estresse também. Tive crises por todos os motivos possíveis. Chorei no banheiro. Chorei no quarto. Chorei no ônibus. Chorei por dentro pra que ninguém me visse chorando.

Houveram dias em que eu não tinha força pra sair de casa de manhã. Ia pro trabalho só por ir, eu já nem sabia mais porque tinha que ir. Quando lembrava o porquê chorava mais. Desesperadamente.

Parei de falar com Deus. Parei de falar sobre Ele

Mas foram nesses dias nebulosos que a Clara aparecia pra me dizer o que eu precisava ouvir. Não tenho palavras pra agradecer tudo que ela fez por mim esse ano, por não ter me deixado desistir de tudo e de mim mesma. Eu tenho sorte de ter ela por perto.

Desde que as férias da faculdade começaram eu voltei a falar com Ele todos os dias, a ler o que Ele escreveu pra gente e tem sido incrível. Quando eu digo que nos braços Dele é o lugar mais seguro do mundo, não tô brincando. É real. Vou ser clichezona de novo: O Amor de Deus é um bagulho muito inexplicável. Eu não teria sobrevivido a esse ano se Ele não estivesse por perto e usado pessoas que nem da igreja são pra me ajudar.

Ele me fez enxergar que foi necessário passar por tanta coisa ruim. A gente só descobre se as raízes de uma árvore são fortes de verdade quando ela passa pelas piores tempestades e continua de pé. Esse ano tirei forças sabe-se lá Deus de onde. Mas tô aqui. Tô viva. Tô bem.

Ontem foi meu aniversário. Além das mensagens aleatórias de "parabéns deus te abençoe", a coisa que as pessoas que estiveram por perto esse ano mais disseram foi que admiravam a minha força. Isso me fez enxergar o quanto 2016 foi importante pra mim.

Uma amiga disse no seu texto de retrospectiva no Facebook que esse ano a tornou mulher. Desde que eu era mais nova ouvia nas músicas e filmes que a gente só se torna mulher quando transa pela primeira vez. Isso tá errado (e é machista). A gente se torna mulher quando luta, quando passa pelos vendavais e sobrevive.

Eu não sou mais a menina que veio do São Luis. Sou mulher.

Aprendi que a gente precisa enxergar o lado positivo sim. Querendo ou não, entrei na faculdade pra fazer o curso dos meus sonhos com bolsa integral e estou amando. Assisti seis filmes no cinema. Quatro eram de super-heróis e três foram na estreia. Aprendi a lutar pelo meu espaço onde eu estiver. Disse não pra muita coisa ruim que me ofereceram. Tive coragem. Fiz um curso de Jornalismo e Direitos Humanos. Publiquei meu texto pela primeira vez num portal de notícias. Conheci pessoas maravilhosas que me ajudaram muito e que se tornaram meus melhores amigos. Me aproximei de gente que sempre esteve por perto, mas que nunca dei o valor devido. Me afastei de pessoas que me faziam mal.

Tinha muitas expectativas pra esse ano. A única coisa que deu certo foi trocar de celular.

Mas decidi não reclamar disso e sim fazer algo a respeito.

2016 me amadureceu e me fez mais forte.

Foi doloroso passar pelo inverno, mas a primavera sempre vem.

Então meu brinde de fim de ano vai pro pior ano da minha vida. Obrigada por tudo, 2016!